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Paralelamente à atarefada vida profissional, António de Medeiros e Almeida (1895-1986) dedicou-se com paixão a reunir um vasto e precioso conjunto de obras de arte.

 

Tendo começado a colecionar nos anos 30, o auge da sua carreira profissional no pós-guerra, permitiu-lhe adquirir nas mais afamadas casas leiloeiras e antiquários europeus e reunir uma importante colecção de artes decorativas.

 

Em 1972 criou a Fundação Medeiros e Almeida tendo como objetivo: “Dotar o país de uma Casa-Museu”. De modo a permitir a fruição pública da sua coleção, o casal mudou-se para uma moradia contígua, transformando a casa onde viveu durante 30 anos em Casa-Museu. Nessa altura foi ainda construída uma nova ala sobre o jardim da casa.

 

O acervo reflecte um gosto ecléctico e cosmopolita que se ajusta ao ambiente da casa. A escolha das obras de arte, direccionada para uma vivência pessoal e social, foi sempre dirigida por um critério de excelência que se revela nomeadamente em duas coleções para as quais o colecionador projetou salas dedicadas; a de relógios e a de porcelana da China.

 

Na coleção de cerâmica chinesa incluem-se as mais díspares peças, desde a raridade das terracotas chinesas da dinastia Han (206 a.C.-220), aos primeiros vidrados da dinastia Tang (618-907) e às depuradas peças Song (960-1279) sendo o núcleo mais significativo o das chamadas “primeiras encomendas”, as primeiras peças de porcelana encomendadas na China para o Ocidente, com cerca de 500 anos, que ostentam as armas reais de Portugal e de D. Manuel I.

 

A sofisticação e apuro técnico estão presentes nas peças de relojoaria francesa, inglesa e suíça, salientando-se o relógio inglês, de noite do século XVII, com iluminação interior por candeia de azeite, do relojoeiro da corte de Carlos II de Inglaterra, Edward East (1602-1697), ainda em funcionamento, uma ampulheta em âmbar e marfim, com assinatura “Michael Schödelock fecit Gedani”, feita em Gdansk (na altura na Prússia), datada de cerca 1660 e ainda cerca de 25 relógios Breguet, uma das mais famosas casas relojoeiras do mundo.

 

Nesta sequência destacam-se ainda o mobiliário português e francês, a coleção de pinturas holandesas e flamengas dos séculos XVI e XVII, os retratos ingleses do século XIX, os adereços de joalharia, as baixelas de prata inglesa, a ourivesaria sacra e as tapeçarias flamengas e francesas dos séculos XVI, XVII e XVIII.

 

Ao doar o seu acervo ao país, Medeiros e Almeida tornou-se num dos grandes mecenas portugueses do século XX.