Álbum da Rainha D. Amélia (2 vols.)
 “Mes Dessins. Mes Endroits Préférés” / “Art et Archeologie”, Destaque Junho de 2014

Álbum da Rainha D. Amélia (2 vols.)
 “Mes Dessins. Mes Endroits Préférés” / “Art et Archeologie”, Destaque Junho de 2014

Conjunto de dois volumes formado por folhas soltas protegidas por portefólios em pergaminho, com reproduções de desenhos e aguarelas realizados entre 1893 e 1906 pela Rainha D. Amélia.

 

A Rainha D. Amélia:
“Quero bem a todos os portugueses, mesmo àqueles que me fizeram mal”

 

Maria Amélia Luísa Helena de Orleães (1865-1951), filha primogénita de Luís Filipe, conde de Paris e de Maria Isabel de Orleães-Montpensier, infanta de Espanha, foi a última rainha de facto de Portugal.

 

Criada em Inglaterra (onde nasceu após o exílio da família devido à ascensão ao trono de Napoleão III) e França, embora também viajasse frequentemente para a Áustria e Espanha para visitar familiares, recebeu uma esmerada educação, sendo que, desde cedo é evidente o seu gosto pelas artes, do qual o presente álbum é testemunha.

 

A 22 de Maio de 1886 casa na Igreja de São Domingos com o príncipe real Carlos, Duque de Bragança, e o casal ira viver para o Palácio de Belém, onde nascem os seus três filhos: Luís Filipe, Maria Ana (que apenas sobrevive umas horas) e o futuro rei D. Manuel II.

 

Com vinte e quatro anos torna-se rainha de Portugal, desempenhando um importante papel já que, embora a monarquia não vivia os seus melhores dias, ela conseguiu conquistar o povo com a sua dedicação a diversas causas, como a erradicação da pobreza e da tuberculose, causas que, como ficou evidente com a publicação do álbum em estudo, continuará a abraçar durante toda a sua vida.

 

Em 1910, após a proclamação de República Portuguesa a 5 de outubro, Amélia deixa Portugal para ir viver primeiro em Londres e, mais tarde, em França e, embora durante a Segunda Guerra Mundial o governo de Salazar lhe oferecesse asilo político, não regressará a Portugal até 8 de junho de 1945.

 

 

A motivação:
No prólogo deste álbum, o Conde de Sabugosa explica:
“(a Rainha D. Amélia) …impressionada com o agravamento sempre crescente da tuberculose em Portugal, – paiz onde o Seu coração cravou raízes que nem as tempestades, nem as tragedias conseguiram arrancar, a Soberana que fundou a «Assistancia Nacional aos Tuberculosos” sentiu em Sua alma o impulso de contribuir quanto em si coubesse para diminuir o terrivel flagello»”.

 

A Assistência Nacional aos Tuberculosos, primeira instituição em Portugal focada especificamente nesta doença – e mais tarde transformada no atual IANT-Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos -, é fundada em 1899 por iniciativa da Rainha D. Amélia. Dois anos mais tarde é aberto o Dispensário de Lisboa, a que se seguem outros em Bragança, Porto, Faro e Viana do Castelo. Embora já longe de Portugal, Dona Amélia nunca deixará de se preocupar por esta causa e, vendo que cada vez era mais difícil angariar fundos no seu favor, finalmente acede a tornar públicos uma serie de desenhos e aguarelas realizados por ela no seu “país do coração” entre 1893 e 1906, sendo que a receita da publicação dos mesmos estaria destinada a este organismo de benemerência.

 

Uma das condições que a Rainha exige para a publicação do Álbum, é que o mesmo seja precedido de uma explicação sobre o aparecimento desta obra da autoria do Conde de Sabugosa, poeta e escritor com quem a própria já tinha colaborado com uns desenhos para o livro “O Paço de Sintra. Apontamentos históricos e Arqueológicos”, publicação de 1903 e que também contava com desenhos do arquiteto Raul Lino e do aguarelista Henrique Casanova. Lamentavelmente, a morte do Conde faz com que este nunca chegue a ver o Álbum concluído, mas o seu prólogo será incluído não só no primeiro volume como também no segundo.

 

 

O Álbum:


Tal como referido anteriormente, o Álbum de desenhos, uma obra inteiramente caligrafada e litografada, surge em prol de uma causa benéfica e, dada a grande aceitação que teve, rapidamente se decide a publicação de um segundo volume. Existem alguns exemplares nos quais os dois volumes aparecem protegidos por um estojo em formato de livro, com a lombada decorada a ouro com coroa e flores-de-lis, o que não é o caso do Álbum da Casa-Museu.

 

As duas publicações constam de reproduções de desenhos e aguarelas que são, nas palavras de Sabugosa, “…a mais linda collecção de objectos de arte religiosa ou profana que o lápis de um artista pode encontrar”. As temáticas serão, na verdade, muito variadas: desde paisagens e arquiteturas, desenhos quase científicos de animais e plantas, objetos religiosos, temáticas mitológicas ou históricas, etc. Esta compilação de reproduções está precedida de uma ‘Explicação Prévia’ do Conde de Sabugosa e de uma introdução da Rainha Dona Amélia, em ambos os casos em versão bilingue português-francês.

 

Esta obra é muito procurada como peça de coleção entre bibliófilos portugueses – e não só – encontrando-se entre os livros mais emblemáticos da primeira metade do século XX.

 

 

“Mes Dessins. Mes Endroits Préférés”:

Com este título, “Os meus desenhos. Os meus Logares predilectos” é publicado em 1926 o primeiro volume pela editora Le Goupy e impressão de Daniel Jacomet et Cie., em papel das antigas Manufactures Royales de Canson et Montgolfier, produtores de papel de alta qualidade desde 1807.

 

Este primeiro volume terá uma tiragem de 250 exemplares, sendo o preço original de 1.000 Francos que se destinavam às Obras da Rainha. O exemplar da coleção da Casa-Museu é o nº 189.

 

Consta de 119 reproduções de desenhos que ilustram uma seleção do mesmo número de textos, escolhidos e manuscritos pela Rainha, de obras de Camões, Homero, Becquer, Dante Alighieri, Petrarca, Zorrilla, Gil Vicente, Baudelaire, Victor Hugo e Alexandre Herculano, entre outros. As “ilustrações” são em ocasiões obras que ocupam por completo a página e, noutras, apenas anotações na margem ou, até, em jeito de letras capitulares. A capa que reúne esta seleção é em pergaminho cor de marfim com dois atilhos em pele que fecham abotoados com pequenas bolinhas em marfim. A frente é decorada com a coroa real ao centro e nos quatro cantos o monograma “MA” de Maria Amélia.

 

 

 

“Mes Dessins. Art et Archéologie”:
“Arte e Archeologia” será o título do segundo volume, editado em Londres, em 1928 pela Maggs Bros. (Libraries de Sa Majesté le Roi d’Angleterre, de Sa Majesté le Roi d’Espagne, de Sa Majesté le Roi de Portugal et de Sa Majesté la Reine Amélie de Portugal) e com impressão de Daniel Jacomet et Cie.

 

A justificação para este segundo volume seria, segundo esclarece a própria Rainha: “…a publicação «Os meus Desenhos» que levei a efeito, teve uma aceitação superior à que esperava, traduzindo-se n’um beneficio tão brilhante para as Obras a que se destinava”.

 

De facto, este volume terá uma tiragem muito superior -350 exemplares, sendo o da coleção da Casa-Museu o número 167 -, existindo também uma tiragem especial de luxo de 25 exemplares assinados pela Rainha e numerados de I a XXV.

 

O número de desenhos e aguarelas será, porém, menor, constando de 100 reproduções sem qualquer texto. A capa será também em pergaminho, com o mesmo sistema de fecho, mas na parte dianteira constarão as armas de Portugal e França, encimadas por coroa imperial, mantendo-se o monograma da Rainha nos cantos.

 

 

 

Proveniência:
Estes dois volumes do álbum de desenhos e aguarelas da Rainha D. Amélia foram adquiridos pelo Dr. João Silvestre de Almeida em 1926 e 1928, diretamente às editoras encarregadas da sua publicação, já que eram exemplares de encomenda. Posteriormente seriam herdados pelo seu filho mais velho, António de Medeiros e Almeida, fundador da Casa-Museu, formando parte hoje em dia da coleção da Fundação.

 

“Resumindo: Obra de Saudade e de Amor pela Pátria”

 

Samantha Coleman-Aller


Casa-Museu Medeiros Almeida

Artista

Maria Amélia Luísa Helena de Orleães


Ano

1926/1928


País


França, Londres, Inglaterra

Materiais

Pergaminho, papel, pele e marfim

Dimensões

Comp. 43 cm x Larg. 30 cm x Alt. 4,5 cm

Categoria
Destaque