Cómoda-papeleira

Cómoda-papeleira

 

Pauta-se o mobiliário português do 3º quartel do século XVIII, período em que reinou D. José, pelo uso preferencial de madeiras maciças entalhadas, com especial predilecção pela escolha de madeiras exóticas, mas não exclusivamente, como o demonstra este belíssimo exemplar de cómoda – papeleira, decorado por motivos de talha baixa de excepcional execução técnica como era aliás, característico do estilo. A construção do móvel destaca-se pelo uso da madeira de nogueira – que lhe dá a cor âmbar – material raramente usado em marcenaria em peças desta dimensão devido a tratar-se de uma madeira de grande apetência para o ataque de xilófagos.

As cómodas – papeleira assumem neste período, formas relativamente simples de influência inglesa, apresentando em Portugal a singularidade de terem a frente ligeiramente ondulada e por vezes como neste caso, também as ilhargas. Fazem ainda parte das suas características, os cantos das prumadas cortados sobre os quais muitas vezes se sobrepõem pilastras entalhadas de maior ou menor volume. Os pés igualmente decorados pela mesma talha, embora neste exemplar apresentando uma maior simplicidade na forma, face a modelos mais correntes que se apresentavam em sapata enrolada. Esta simplificação das linhas estruturais, é acompanhada pelo trabalho da talha que agora se apresenta baixa, pouco volumosa e executada directamente a partir da madeira do móvel. Concheados, palmetas, flores, filetes, acantos, enrolamentos, desenvolvem-se ao longo dos pés, cantos, saial, ilhargas, gavetas numa assimétrica e discreta profusão decorativa, pouco comum para a época.

 

A fábrica composta por seis nichos, quinze gavetas onduladas, escaninho com porta e mais duas gavetas laterais entalhadas, esconde-se atrás de batente também decorado por talha baixa.

 

 

Não raras vezes, como aliás parece ter sido o caso, dado a régua que contorna a superfície do tampo, sobre as cómodas-papeleiras, eram colocados alçados que encaixavam dentro da mesma, dando ao móvel outras funções como por exemplo oratório.

Nota: Existe uma papeleira semelhante em pau-santo (ex coleção Parreira do Amaral), hoje em coleção particular.

 

Proveniência:

Exposta no 5º Salão de Antiguidades, em 1970, no stand de Manuel Gameiro.

Adquirida à Antiquália, Praça Luís de Camões, 37-39, Lisboa, em 19 de Abril de 1971, por 135.000$00

 

 

 

Artista

D. José I

Ano

3º quartel Séc. XVIII

País

Portugal

Materiais

Nogueira, bronze dourado

Dimensões

Alt. 127cm x Comp. 133cm x Larg. 72cm

Categoria
Mobiliário Português