E as veias correm…

Instalação

“E as veias correm…”

Lucía Vallejo Garay

 

Inauguração: 15 Novembro / 19.00h

Patente: 11 Janeiro 2020

 

“O mundo é apenas uma peça de teatro sinistra. [Schopenhauer]
Toda obra de arte tende portanto, verdadeiramente, a mostrar-nos a vida e as coisas tal como são na sua realidade, mas também como ninguém as pode apreender (…) É este o véu que a arte rasga. [Schopenhauer]

 

As veias encorparam-se em sulcos en-carnados, alastrando pelas salas, escadaria da Casa Museu Medeiros e Almeida. Domesticadas por Lucía Vallejo, jorram palpitando e quietas, desafiando a causalidade. São pulsáteis, vibram num movimento duplo de sístole e diástole. A carne desprende-se, afasta-se e entende-se a alma da casa, desocultada em sublimidade barroca.
As obras de Lucía Vallejo fluem em Portugal desde 2018, iniciada a colaboração em 2017, quando da exposição Memento Mori na Fundación Tabacalera, Madrid, através do texto: Memento [mori] e razão áurica – figuras mumificadas riem-se. Plasmava-se um arquivo de simulacros onde a luz era silenciosa (como o título do filme de Carlos Reygadas, 2007). As figuras estabilizavam os sentimentos drásticos. Na primavera do ano seguinte, a sua intervenção alastrou pelas nove salas do Palácio das Artes (Largo de São Domingos, Porto), num projeto concebido sob auspícios de Splendor et annuntiatio: no palácio há silêncio. No antigo convento, as múmias e seu séquito estimularam fantasias e remitologizações culturais.
Neste ano de 2019, novo diálogo se estabeleceu em Madrid, por ocasião da curadoria Eternidad. ¿Imágenes para siempre? Lucía Vallejo apropriou-se progressivamente, rondando com suas esculturas Mulheres em SIlêncio, os três pisos do Museo Lázaro Galdiano.
Instituiu um percurso para os visitantes, convocando o itinerario partícipe na Divina Comédia de Dante: entre o Inferno e o Céu, atingia-se o Paraíso, assinalado em obras emblemáticas do Colecionador de Madrid. Por outro lado, e de novo em Portugal, um significativo desenho da artista, que antevia o tema de E as Veias correm, integrou a exposição coletiva Studiolo XXI: desenho e afinidades no Palácio da Inquisição – Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, Évora. As obras de Lucía Vallejo fluem, brotam em território português, agora metaforizadas nas veias a correr, alastrando para desvelar a alma da Casa Museu Medeiros e Almeida de Lisboa. Em Janeiro de 2020, prevê-se que as veias subam até ao Palácio dos Carrancas no Porto, atual Museu Nacional Soares dos Reis.
Numa certa aproximação, também nesta Casa-Museu se endereça um percurso, alinhado em modo resiliente, desfraldando os intersticios, os cantos e as planícies das salas. A pluralidade e excelência das peças na Coleçãos Medeiros e Almeida estimulou o imaginário da Artista que quis celebrar a tenacidade, a convicção que interroga qualquer visitante. As veias pulsam a personalidade dos Colecionadores, testemunham a seiva da Humanidade. Ao percorrer as salas sucedem-se os diálogos geográficos e cronológicos, demonstrando quanto em todas as pessoas o sangue nutre a exigência do conhecimento plasmado em objetos de um mundo estético. As veias mirram e germinam vísceras, contraem-se, enrrugam-se e desembarcam no mar que os tapetes se estendem. Resiliente, a seiva irrompe e subsiste, aliciando o mármore e as alfombras, interpela as porcelanas e aquieta-se, perscrutando os relógios. De certo modo, a densidade e espessura das veias, as volumetrias exacerbadas das vísceras harmonizam o horror vacuii e o silêncio – dissimulado no excesso. Pois a convivência de gostos estéticos, patente na prodigalidade das coleções, é equilibrada pela tenacidade e renúncia, entre Eros e Thanatos, enfim. A efabulação das veias cruza a Arte, desvelando a cenografia da Vida. As veias en-carnando a alma da casa, assinalam quanto a Arte pode redimir a tragédia da existência, parafraseando Schopenhauer.”

Texto – versão inglês

Curadoria e Texto de Maria de Fátima Lambert.

 

No dia da inauguração realizar-se-á um happening para o qual os visitantes estão convidados:

HAPPENING DA INAUGURAÇÃO

O happening foi pensado por Lucía Vallejo com intuito de que artistas e espectadores usufruam de uma experiência pessoal na criação de uma obra de arte interativa. Lucía pretende que os espectadores deixem de ser apenas objetos passivos, e possam desenvolver as suas reflexões sobre a instalação com ela. A intervenção na CMMA consiste na instalação de uma peça que mede 250 metros de veias / vísceras, representando a vida. No evento, haverá um balde de tintas e pincéis para os artistas convidados e os espectadores que queiram aderir a este desafio artístico. Todos devem pintar veias na tela que se estenderá no chão. Lucía Vallejo dará o arranque, começando a pintar ao vivo, seguindo-a quer os artistas, quer os espectadores que quiserem. Juntos vamos refletir sobre a vida de cada um: acerca de sua transitoriedade, doenças, esperanças, projetos, sobre as escolhas que tomamos e nos levam a diferentes destinos, à semelhança das veias que se dividem, ramificam, alastram sua seiva vital e assim determinam os caminhos que escolhemos. Esta ação artística conjunta perdurará, por certo, na memória de cada participante e contribuirá para mais uma etapa da memória que o museu já possui.”

Curadora: Maria de Fátima Lambert

Website Lucía Vallejo Garay: https://www.luciavallejogaray.com/

 

 

 

Local

Galerias da Casa-Museu

Data

15 Novembro 2019 - 11 Janeiro 2020

Horário

2ª feira a sábado: 10h - 17h

Preço

Entrada com bilhete da Casa-Museu / Sábados 10h - 17h: Gratuito

Categoria
Exposições Temporárias