Mesa de encostar (par)

Mesa de encostar (par)

Mesa de encostar (par)

 

Em Inglaterra, gosto pelo mobiliário entalhado e dourado de feição barroca veio substituir ainda no final do século XVII, o mobiliário pintado em voga nos reinados de Jaime I e de Maria II. Mesas de apoio, molduras de espelhos, pedestais, tremós, apliques de luminária, espelhos de chaminé, passam a ser entalhados e dourados, tal como cabeceiras e pés de camas e cadeiras. Muitos destes objectos foram concebidos em função da arquitectura das casas, nas quais o espaço entre portas e janelas era aproveitado para colocar espelhos sobre mesas como forma multiplicar a luz.

Os desenhadores passam então a ter um papel reconhecido na criação do mobiliário executado por marceneiros, entalhadores e douradores com funções cada vez mais especializadas. As madeiras eleitas eram as macias como o limoeiro e a pereira uma vez que, se adaptavam melhor à execução do entalhamento, posteriormente acabado (segundo diversas técnicas) a dourado ou prateado.

 

As mesas da coleção da Casa-Museu (gesso tables) são totalmente revestidas por uma pasta de cré e cola animal que era aplicada sobre a superfície de madeira e que depois era escavada criando um motivo em relevo, sendo o fundo estampado ou puncionado de modo a dar-lhe uma aparência uniforme, baça e contrastante com o brilho do relevo. A folha de ouro ou de prata só então era colocada sobre a superfície húmida e depois polida com ágata ou com dente de cão.

 

Designada na atualidade por “gesso table” ou “gesso furniture” a técnica de revestimento decorativo já existente na Idade Média, embora não com esta denominação, foi retomada em finais do século XVII num revivalismo que durou de cerca de 1690 a cerca de 1735 altura em que o seu uso começou a declinar. A pasta de cré permitia a execução de um tipo de decoração recortada na qual se retiravam camadas do fundo de forma a criar um relevo com o padrão decorativo pretendido, trabalho que a madeira entalhada não possibilitava tendo sido por isso, usada com o objetivo específico de criar este tipo de decoração, não sendo assim, uma técnica substituta da madeira entalhada mas sim, uma alternativa com um objectivo ornamental distinto.

O par de mesas da Casa-Museu destaca-se pelo seu raro revestimento a prata. Os móveis são profusamente decorados com arabescos, enrolamentos, gavinhas com flores que se estendem simetricamente a partir de um motivo central, ao longo do tampo e pelas pernas, terminando nos pés em pé de cabra. O par apresenta ainda ao centro, um monograma (HW?) dentro de cartela até agora não identificado.

 

 

Proveniência:

O par de mesas pertenceu a Tring Park House, construída pelo rei Carlos II de Inglaterra (1630-1685) para Nell Gwyn, sua amante, depois pertença de Henry Guy (em 1710), político e amigo de Carlos II.

Em 1929 Sir William Plender (1861-1945) (51, Kensington Court), Londres comprou-as para a sua coleção. As mesas são anunciadas à venda na revista “The Connoisseur” em Junho de 1942. Foram então adquiridas ao Barão Plender em 1942, por £3.500 pelo colecionador Geoffrey Hart (Whych Cross Place, Sussex), Inglaterra.

Em 1958 a viúva de G. Hart, Dorothy – muito amiga do casal Medeiros e Almeida –  publica a sua venda na revista “Country Life” sendo adquiridas por Medeiros e Almeida em Março de 1958, por £4.500.

Estilo - Época

Queen Anne

Ano

c. 1710

País

Inglaterra

Categoria
Mobiliário Inglês