RAÍZES . ROOTS

 Exposição Temporária – Pintura

Jorge Martins, Patrícia de Herédia / Tiago Fezas Vital, João de Almeida, Duarte Castel-Branco Filipe

 

A Casa-Museu Medeiros e Almeida, recebe, de 8 de outubro a 2 de novembro, “Raízes”, uma exposição coletiva que reúne cinco artistas cujas afinidades e, porque não, disparidades, convergem num inesperado desafio ao público.

Neste conjunto de peças, a pintura é a rainha. Todavia, não são alheias as diversas experiências profissionais dos autores em outras expressões artísticas, como o Desenho ou a Arquitetura. São eles: Jorge Martins, consagrado expoente do Desenho e da Pintura em Portugal, com enorme projeção internacional; Patrícia de Herédia, pintora cujo trabalho, por vezes com recurso a mixed-media, não cessa de se afirmar; Duarte Filipe, jovem formado na Europa Central que utiliza com mestria a técnica do Desenho a grafite ao serviço duma criatividade e imaginação surpreendentes; João de Almeida, um veterano da Arquitetura que, em final de carreira, obsessivamente atraído pela temática da Natureza, se vira para a prática do Desenho e da Pintura.

 

 

Jorge Martins

Nasceu em 1940, em Lisboa. Frequentou os cursos de Arquitetura e Pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Viveu em Paris, de 1961 a 1976, onde conviveu com a elite de artistas portugueses exilados. Entre 1975 e 1976 monta um atelier em Nova Iorque. São inúmeros os prémios que virá a receber pela sua obra: o de Desenho da III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Gulbenkian, em 1986; o da AICA/SEC de Artes Plásticas, em 1988; o Prémio Celpa/Vieira da Silva (Artes Plásticas – Consagração), em 2003; e o prémio da melhor exposição de Artes Plásticas da SPA, por “A Substância do Tempo”, grande retrospetiva de desenho simultaneamente apresentada em 2013, no Porto, no Museu de Arte Contemporânea e, em Lisboa, na Fundação Carmona e Costa. Inúmeras também as exposições que lhe são dedicadas. As principais: em 1988 e 1993, duas exposições antológicas, de Desenho e Pintura, na Fundação Calouste Gulbenkian; em 2013, uma grande retrospetiva da sua obra no Museu Coleção Berardo; em 2017, a exposição “Interferências”, na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva; em 2019, em Badajoz, a exposição “Sombras y Paradojas”, que deverá seguir para outras cidades de Espanha. Realizou ainda, ao longo dos anos, diversas exposições em âmbito internacional e são inúmeras as instituições de prestígio em que se encontra representado.

 

Patrícia de Herédia

Nasceu em Lisboa, em 1973, e desenvolve o seu trabalho de pintura em Carcavelos, onde tem um atelier de trabalho permanente. Desde cedo manifestou grande interesse por todas as formas de expressão artística. Estou Arte nos Estados Unidos da América, tendo concluído o ensino secundário na Florida. Frequentou os cursos de Pintura, de História de Arte e de Desenho de Modelo, na escola de arte Ar.Co, em Lisboa, expondo regularmente desde 2007. Participou em diversas exposições conjuntas e individuais nos últimos anos. Alguns dos seus trabalhos estão representados em coleções públicas: câmaras municipais do Funchal e de Ponta Delgada, Câmara Municipal de Stary Sacz, na Polónia, Fundação PT, Grupos BES e York House, em Lisboa. E em coleções privadas, não só em Portugal, como em França, Bruxelas, Inglaterra, Noruega, Polónia, Austrália e EUA. Da sua obra diz Isabel Vaz Lopes: “Podemos achar nos trabalhos de Patrícia de Herédia lugares percorridos da nossa memória. Paisagens ou locais onde teremos estado e retivemos por causa de uma emoção inesperada. As horas, os dias, os meses são percetíveis no conjunto de peças agora exposto. A impressão sensorial de calor, frio, vento ou acalmia. Tudo é imaginável pela virtude do gesto nestas pinturas”.

 

Duarte Filipe

Nasceu em Lisboa, em 1984, e aí inicia, em 2002, a sua formação na área da Fotografia e do Desenho, tendo passado pela Ar.Co e pela Sociedade Nacional de Belas Artes. Mais tarde, em 2006, obtém um diploma na área da Animação Tradicional, na ETIC – Escola Tecnológica da Imagem e da Comunicação. Seguem-se dois anos de bacharelato de Pintura na Ar.Co. Prossegue então a sua formação na Europa Central, onde permanece até 2018, estudando em instituições de prestigio, como a Gerrit Rietveld Academie, de Amesterdão, onde, de 2008 a 2011, faz um bacharelato de Belas Artes, ou como a Academia de Arte de Düsseldorf, onde estuda ao longo de dois anos com Thomas Grünfeld. Entre 2010 e 2018 expõe regularmente, a solo e em grupo, em Portugal e na Europa Central, em instituições e galerias de Lisboa, Amesterdão, Düsseldorf e Copenhaga. O seu trabalho é hoje dominado pela prática do Desenho. Usa como meio toda a gama disponível de lápis de grafite, dando origem a obras de extrema elaboração e minúcia, surpreendentes nas formas que assumem para expressar um conteúdo de pendor metafísico.

 

João de Almeida

Arquiteto formado nos anos 50 e 60, em Lisboa e em Basileia, tendo-se aí envolvido de perto nas novas tendências da Arquitetura e Arte Sacras, emergentes na Europa Central, reúne sobre a matéria uma vasta documentação que, ao regressar a Lisboa, é chamado a partilhar com todo um círculo de colegas e artistas. Assim deu origem ao Movimento de Renovação da Arte Religiosa (MRAR), com uma atividade relevante nos meios culturais, entre 1953 e 1969, em que participam, entre outros, Nuno Teotónio Pereira, Nuno Portas, Luís Cunha, José Escada, Manuel Cargaleiro e Eduardo Nery. Projeta então duas igrejas que refletem a sua aprendizagem na Suíça: as paróquias de Moscavide (1955) e a de Paço de Arcos (1967). Mais tarde, no âmbito da sua sociedade de arquitetos ARQUI III, realiza projetos relevantes, como o da total renovação interior do Museu Nacional de Arte Antiga (1982 a 1994), o do condomínio “Residências Príncipe Real” (1980) a que foi atribuído o Prémio Valmor, o do Edifício Sede da Expo 98, bem como inúmeros outros de caráter residencial. Reformado da Arquitetura em 2003, retoma a grande paixão da sua juventude e da sua prevalecente formação cultural: o Desenho e a Pintura, até aí não explorados. O reconhecimento foi imediato, com conceituados historiadores e críticos de arte a comentarem o seu trabalho e exposições na Europa, incluindo Portugal, e na China.

Local

Sala de Exposições Temporárias

Data

8 Outubro - 2 Novembro 2019

Horário

2ª feira a sábado - 10h - 17h

Preço

Entrada Livre (só exposição temporária)

Categoria
Exposições Temporárias