“Retrato de Velho com espada”, Destaque Agosto de 2015

“Retrato de Velho com espada”, Destaque Agosto de 2015

Retrato a três quartos de um velho com longa barba branca e bigode, semblante simpático, mas algo desconfiado, franzindo as sobrancelhas, gesto que realça os pequenos, mas expressivos olhos claros. Cabeça envolvida por pequeno turbante em seda branca com lenço vermelho por baixo emprestando um ar oriental ao personagem. Ricamente trajado, o ancião enverga túnica de seda debruada a galão dourado e um abafo de pele azul guarnecido com gola em pelo castanho. Ao peito, de um grosso cordão pende um medalhão, a mão direita apoia-se no punho de uma espada sustentada do lado esquerdo. O fundo neutro acrescenta destaca o porte do protagonista.

 

A pincelada é solta, sem contornos definidos e a riqueza das cores que definem o retrato traduz bem a escola veneziana de pintura; a cor versus a linha e o traço; a espontaneidade versus o academismo, a obrigatoriedade do desenho.

 

Sem retratar ninguém em específico, a pintura possui as qualidades necessárias de um bom retrato fazendo de Giandomenico, um retratista sem retratados.

 

Giandomenico e Giambattista Tiepolo

Giandomenico (também referido como Domenico) Tiepolo, nascido em 1727 na República de Veneza, pintor, desenhador e gravador, é o filho mais velho do grande pintor do barroco, Giambattista Tiepolo (1696-1770). Aprendiz do pai é precocemente assinalado, com treze anos, como seu assistente. O irmão Lorenzo (1736-1776) é igualmente aluno de Giambattista. Juntos, os irmãos Tiepolo imitam o estilo de seu pai e seguem-no em diversas campanhas pictóricas em Itália, Alemanha e Espanha.

 

Tendo ganho grande consideração com importantes obras na região natal do Véneto onde pintam para a igreja e aristocracia, em 1750 os três Tiepolo partem para Würzburg na Alemanha, a convite do Príncipe-Bispo Von Greiffenklau, com o encargo de decorar o hall da sua residência imperial com frescos. Durante dois anos Giandomenico trabalha em estrita colaboração com o seu pai na decoração da grande escadaria do palácio e é precisamente durante esta comissão que o pintor define as suas próprias características e assume alguma autonomia, assinando o seu nome num retrato do imperador Justiniano e afirmando com orgulho a sua idade de vinte e três anos.

 

A obra pictórica do grande Giambattista Tiepolo carateriza-se por um apurado sentido decorativo traduzido em complexas composições de cariz alegórico, histórico e mitológico que personificam o barroco italiano e das quais se destacam os famosos tetos pintados em perspetiva. Da obra de seu pai, Giandomenico adota, para além da sua incomparável técnica, aspetos como a qualidade oleaginosa das suas pinturas, os tons terrosos e os temas decorativos que evocam um universo singular de tipos humanos, entre o real e o imaginário, povoado por orientais, ciganos, charlatães, mulheres, soldados, dançarinos e personagens da commedia dell’arte italiana, nomeadamente o burlesco polichinelo. O gosto pelo desenho e a arte da gravação também os herda de seu pai.

 

A obra mais famosa de Giandomenico são os frescos na Villa Valmarana ai Nani (1757), perto de Vicenza em Itália onde, em equipa com o pai e o irmão, assina murais representando a sociedade veneziana coeva e diversas salas em chinnoiserie.

 

Em 1762 Giambattista Tiepolo chega a Madrid com a comissão de pintar os frescos do teto do Palácio Real de Carlos III (1716-1788). As suas intenções originais eram de voltar à terra natal depois da conclusão do projeto, mas acabou por aceitar uma serie de subsequentes encomendas em Espanha onde acabou por ficar até à sua morte que ocorreu em 1770. Acompanharam-no nesta viagem os dois filhos – Lorenzo acabou os seus dias em Espanha, onde se dedicou, após a morte do pai, principalmente ao desenho de cenas de género em pastel.

 

Após a morte do pai Giandomenico regressa a Veneza onde casa (1776) com Margherita Moschien e onde continua a sua carreira, consolidada que estava a sua identidade, tornando-se mesmo o Presidente da Academia Veneziana de Pintura. Em 1772 publica o Catalogo di varie Opere e inventate dal Celebre Gio. Batta. Tiepolo, que reproduz trabalhos do seu pai. Apesar da homenagem, Giandomenico vai revelando uma inesperada independência em relação aos interesses do pai; ele pretende representar «o mundo vivo» através da sua exuberante imaginação e fugir ao velho mundo erudito, «o mundo morto», que, entretanto, caíra em desuso. Eram os alvores do neoclassicismo a cujo chamamento Giandomenico vai estar atento, o regresso à «bela natureza» proclamada pelos teóricos do classicismo era interpretado por Giandomenico como um convite à representação do verdadeiro que ele vai explorar na pintura de género especialmente em cenas do quotidiano e de teatro popular. A atividade de Giandomenico posterior ao período espanhol desenvolve-se assim, para além do desenho, em dois planos distintos: as comissões oficiais como trabalhos em igrejas que seguiam a linha da família Tiepolo (igreja de San Lio em Veneza, 1773) e a vertente secular na qual podia manifestar o seu estilo, como a decoração do palácio dos Doges de Génova (1783) ou do palácio Contarinidal Zaffo, na Sereníssima (1784). Giandomenico morre em Veneza com 77 anos, em 1804.

 

Os retratos de fantasia

Na década de 1740 Giambattista terá recebido uma encomenda de cerca de vinte retratos de fantasia de homens velhos, barbados, de aspeto oriental; uma tipologia em voga na época, que não representava retratos propriamente ditos mas ‘tipos’, grupos sociais, intelectuais ou económicos. Estes chamados ‘retratos de fantasia’ eram feitos em séries e eram ostentados nas galerias e corredores de aparato dos palácios coevos; as séries de homens idosos de aspeto erudito remetiam para a ideia de filósofos da antiguidade clássica ou, no caso – mais raro – de mulheres, evocavam o ideal, sempre eterno, da beleza feminina.

 

Nesta tipologia de retratos, para além da evocação da antiguidade clássica e do renascimento, note-se que estava presente também o gosto pelo orientalismo pelo que estes retratos mostravam tendências já em voga desde o século XVII e bem patentes em famosos trabalhos que Giambattista certamente conhecia como a série de ‘Teste all orientale (cabeças ao estilo oriental), obra do italiano Giovanni Benedetto Castiglione (1609-1664), os desenhos de velhos barbados trajados à oriental de Rembrandt (1606-1669) ou mesmo a obra de José de Ribera (1591-1652), o tenebrista espanhol que fez diversas séries de fantasia de santos, apóstolos, sábios e filósofos (a Casa-Museu possui um retrato de Arquimedes exposto no Salão D).

 

No seguimento do seu trabalho enquanto gravador, em 1757 Giandomenico publica em Veneza um álbum intitulado ‘Raccolta di Teste’ (Recolha de Cabeças) composto por trinta águas-fortes representando cabeças de filósofos. Segundo o investigador do Museu do Prado Andrés de los Cobos (2012), a partir da formulação do historiador de arte George Knox (1975), Giandomenico reutiliza para as suas águas-fortes material do seu pai como as referidas vinte cabeças de filósofos e desenhos e figuras soltas procedentes de estudos preparatórios utilizados para as composições de Giambattista. Por volta de 1770, publica o segundo tomo com outras trinta cabeças. Para além de cópias de originais do pai, sabe-se agora, Giandomenico é autor de alguns dos desenhos das ‘raccoltas’.
(Nota: Em 1970 Knox publicou os dois volumes da ‘Raccolta’ – vide bibliografia).

 

Durante a estadia em Madrid, o primeiro volume da ‘Raccolta’ foi fonte de inspiração para trabalhos encomendados a Giandomenico que ‘transformou’ as águas fortes em séries de retratos de fantasia pintados a óleo, todos com as mesmas proporções – conhecem-se diversos retratos de filósofos e de jovens mulheres (uma tipologia mais rara), hoje espalhados por museus e coleções mundiais. De caráter marcadamente decorativo, os retratos de fantasia iam de encontro às solicitações do mercado aristocrata de gosto pela decoração aparatosa. É em Espanha que Giandomenico pinta a maioria, senão todas, as cabeças de filósofos e de jovens mulheres conhecidas. Da comparação dos retratos do pai com as cabeças da ‘Raccolta’ verifica-se que Giandomenico inverteu algumas figuras e cortou ou ignorou atributos como livros, manuscritos, medalhões, cintos e espadas. Das águas fortes para os óleos de Giandomenico também se verificam algumas alterações no posicionamento dos personagens e na aplicação dos atributos.

 

Os retratos de fantasia gozaram em Madrid de um considerável sucesso, porém pouco se sabe sobre a identidade dos encomendantes pois existem lacunas na informação sobre a clientela e a receção das pinturas. É possível que os compradores destas obras pertencessem à colónia italiana estabelecida em Madrid, incluindo o próprio embaixador da República de Veneza, Sebastiano Alvise. As relações dos Tiepolo, no entanto eram mais extensas, o próprio Lorenzo era genro do livreiro Genovês estabelecido em Madrid, Angelo Corradi e outros artistas residentes em Madrid também faziam parte do seu mundo; por exemplo, Francisco Bayeu ou Francisco Goya possuía no seu inventário (1812) dois Tiepolo. Alguns colecionadores espanhóis surgem também como potenciais clientes; o décimo duque de Híjar, Agustin de Silva Fernandez de Híjar, possuiu um conjunto de retratos provavelmente adquiridos diretamente ao artista. Este conjunto ou parte dele acabou por ser adquirido pelo Marquês de Salamanca, como provam os documentos da venda da sua coleção em Paris no ano de 1875. Manuel Godoy sabe-se ter possuído na sua vasta coleção ‘três cabeças de homens velhos’; um dos retratos da coleção Godoy foi identificado como sendo o que se encontra no Museu da Academia de San Fernando em Madrid (a obra deu entrada na Academia em 1816). Outro muito provável encomendador é o conde Francesco Algarotti (1710-1764), um conhecido patrono, colecionador e comerciante de arte que trabalhava, entre outros, para a corte de Dresden e que acompanhou tanto o trabalho do pai como o de Giandomenico. A investigação continua em aberto.

 

A historiografia

Caído em esquecimento, é só em 1941, quando o historiador António Morassi identifica a mão de Giandomenico nos frescos da Villa Valmarana em Vicenza (1757) que a sua reputação como pintor é definitivamente consolidada. Em 1971, com a publicação do catálogo raisonné de Giandomenico Tiepolo por Adriano Mariuz, em colaboração com George Knox, completa-se em grande parte o estudo da sua obra. Para Lorenzo o reconhecimento ainda é mais difícil, contribuindo para esse facto o médium usado nas suas obras; o pastel e a sua dificuldade de conservação por parte dos Museus e coleções privadas.

 

Como refere Adriano Mariuz, a atribuição e o ordenamento cronológico da obra artística de Giandomenico é particularmente difícil. Esta dificuldade deve-se em parte a uma insegurança íntima que advém do facto de ele (e Lorenzo também) ter sido considerado e de ter trabalhado muito tempo como ‘imitador’ de seu pai o que coartou a sua autonomia criativa. No caso da identificação dos retratos de fantasia, acresce – para além da falta de documentação – o facto de existirem inúmeras cópias e imitações de seguidores e imitadores. A Lorenzo também são atribuídos alguns retratos de fantasia a óleo – segundo estampas da ‘Raccolta’ -, se bem que de menor qualidade.

 

O retrato da Casa-Museu

Ao consultarmos a obra de referência sobre Giandomenico Tiepolo do historiador Adriano Mariuz (1971) somos confrontados com uma reprodução da pintura que se encontra na Casa-Museu Medeiros de Almeida – Cabeça de velho com espada (fig.23.) -, acompanhada de um pequeno texto que refere que a obra – atribuída na altura a Giambattista – se encontra em parte incerta desde que foi vendida em 1956 no Sotheby’s. A obra é então identificada com a respetiva estampa retirada do volume I da ‘Raccolta’. A qualidade da pintura leva os historiadores a discordarem; Knox atribuiu a pintura ao pai e Morassi e Mariuz a Giandomenico.
Em relação ao retrato da coleção Casa-Museu Medeiros e Almeida existem dúvidas se a obra reproduz um modelo paterno ou se constitui uma ideia original sua, o que constituiria uma das poucas exceções à regra – até ao momento não se localizou o modelo paterno. Na gravura da ‘Raccolta’ Giandomenico mostra o ancião em posição invertida (em relação ao óleo) e num plano mais próximo do espectador, a espada, que tem menor protagonismo, surge colocada à esquerda.

 

Em 2012, o historiador Andrés Úbeda de los Cobos, do departamento de pintura do século XVIII do Museu Nacional do Prado foi curador de uma exposição organizada pela Fundação March de Madrid – ‘Giandomenico Tiepolo /1727-1804/ Diez Retratos de Fantasía’ – onde se expuseram dez retratos de fantasia (dois retratos masculinos e oito retratos femininos) pertencentes a uma coleção particular espanhola. No texto do catálogo, de los Cobos publicou a estampa já mencionada por Mariuz em 1971 com a mesma legenda mencionando que a pintura correspondente tinha sido vendida em 1956 em Londres, mas que se encontrava em paradeiro desconhecido.

 

O catálogo publicado online foi acedido por um estagiário da Casa-Museu – Paulo Cruz -pelo que, nessa sequência, a Casa-Museu contactou a Fundação March dando início a um processo de colaboração, que culminou com a reposição da referida exposição no Museu de Belas Artes de Bilbau, desta feita aumentada com o empréstimo do ‘Retrato de velho com espada’ da Casa-Museu e de diversas estampas da ‘Raccolta’ provenientes da Biblioteca Nacional de Espanha. A exposição intitulada: ‘El artista en la Corte. Giandomenico Tiepolo y sus Retratos de Fantasía’ decorreu entre dezembro de 2014 e abril de 2015.

 

Nota: A Fundação Juan March já contactou a Casa-Museu no sentido desta repetir o empréstimo da pintura para uma nova edição da exposição ‘El artista en la Corte. Giandomenico Tiepolo y sus Retratos de Fantasia’, desta feita a realizar de outubro a dezembro próximo, em Valência, Espanha.

 

Proveniência

Pintura adquirida em leilão da Sotheby’s de Londres, de 28 de novembro de 1956, lote 25, por £ 1.600. Nota: A obra foi adquirida como sendo atribuída a Giambattista Tiepolo (pai), atribuição que se viu com este estudo definitivamente posta de lado.

 

 

Maria de Lima Mayer

Paulo Alexandre Cruz (estagiário, Universidade Nova de Lisboa, 2014)

Casa-Museu Medeiros e Almeida\

 

Para consulta:

São várias as instituições que possuem retratos de fantasia de Giandomenico representando cabeças de velhos, destacando-se: 
Minneapolis Institute of the Arts, EUA – 
https://collections.artsmia.org/index.php?page=detail&id=72

The Art Institute Chicago, EUA – 
http://www.artic.edu/aic/collections/artwork/90024?search_no=1&index=0

Obra gráfica de Giovanni Benedetto Castiglione (1609-1664): ‘Grandi Teste all’ Orientale’, coleção de 4 cabeças de velhos: 
http://www.photo.rmn.fr/C.aspx?VP3=SearchResult&VBID=2CO5PC0J938J7&SMLS=1&RW=1280&RH=666#/SearchResult&VBID=2CO5PC0J93BER&SMLS=1&RW=1280&RH=666

Obra gráfica de Rembrandt Harmensz van Rijn (1606-1669): Cabeças de Velhos (Tête de Vieillards) e auto-retratos:
http://www.photo.rmn.fr/C.aspx?VP3=SearchResult&VBID=2CO5PC0J91EGD&SMLS=1&RW=1280&RH=668

Obra de Giandomenico Tiepolo – Veja-se os retratos de fantasia aplicados nas suas obras – http://www.photo.rmn.fr/C.aspx?VP3=SearchResult&VBID=2CO5PC0J92B8R&SMLS=1&RW=1280&RH=668#/SearchResult&VBID=2CO5PC0J923CO&SMLS=1&RW=1280&RH=668

Retratos femininos de Giandomenico Tiepolo
Museu Lázaro Galdiano, Madrid -
http://www.europeana.eu/portal/record/2022703/oai_euromuseos_mcu_es_euromuseos_MLGM_03549.html?start=2&query=Museo+L%C3%A1zaro+Galdiano%2C+giandomenico+tiepolo&startPage=1&qt=false&rows=24

 

Bibliografia 

KNOX, George; Domenico Tiepolo. Raccolta di Teste. 1770-1790. Udine: Electa Editrice, 1970

KNOX, George; Giambattista and Domenico Tiepolo. A study and Catalogue Raisonné of the chalk drawings. Nova Iorque: Oxford University Press; Oxford: Clarendon Press, 1980

KNOX, George; Philosopher Portraits by Giambattista, Domenico and Lorenzo Tiepolo, in: Burlington Magazine, XCVII, Março 1975, Nº 874

MARIUZ, Adriano; Giandomenico Tiepolo, Veneza: Alfieri, 1971

MORASSI, Adriano; A Complete Catalogue of Paintings by G.B. Tiepolo, including Pictures by his Pupils and Followers wrongly attributed to him. Londres: Phaidon, 1962

VILAÇA, Teresa, ALMEIDA, João; Um Tesouro na Cidade. Lisboa: Inapa, 2002

 

Catálogos de exposição


ÚBEDA DE LOS COBOS, Andrés; Giandomenico Tiepolo (1727-1804). Diez retratos de fantasía. Madrid: Fundación Juan March, 2012

ÚBEDA DE LOS COBOS, Andrés; El artista en la corte. Giandomenico Tiepolo y sus retratos de fantasia. Madrid: Fundación Juan March, 2014

 

Recursos online


CHRISTIANSEN, Keith, Giambattista Tiepolo 1696-1770. Nova Iorque: The Metropolitan Museum of Art, New York, 1996 –http://www.metmuseum.org/research/metpublications/Giambattista_Tiepolo_1696_1770?Tag=&title=&author=keith%20Christiansen&pt=0&tc=0&dept=0&fmt=0


ÚBEDA DE LOS COBOS, Andrés; Giandomenico Tiepolo (1727-1804). Diez retratos de fantasía [cat. expo., Fundación Juan March, Madrid]. Madrid: Fundación Juan March, 2012 – Edição digital disponibilizada na página eletrónica da Fundação March (ESP) –
http://www.march.es/arte/catalogos/ficha.aspx?l=1&p0=cat:137&p1=10

WOLK-SIMON, Linda; Domenico Tiepolo, Drawings, Prints and Paintings in the Metropolitan Museum of Art, in: The MET Bulletin V54, nº3, Winter 1996-97. Nova Iorque: The Metropolitan Museum of Art, 1997 – http://www.metmuseum.org/research/metpublications/Domenico_Tiepolo_Drawings_Prints_and_Paintings_in_The_Metropolitan_Museum_of_Art_The_Metropolitan_Museum_of_Art_Bulletin_v_54_no_3_Winter_1996_1997

Artista

Giandomenico Tiepolo (1727-1804)

Ano

1768

País

Espanha, Madrid

Materiais

Óleo sobre tela


Dimensões

59,3 cm x 49,5 cm

Categoria
Destaque